Prêmios

27/03/18 08:38

2º PRÊMIO ZEZINHO MARANHÃO – 2017 >>>>> [PRORROGADO !]

  EDITAL PRORROGADO !!!!

 

Visando ampliar o número de inscritos no Programa, artistas das áreas da música e da dança que ainda não se inscreveram terão mais 45 dias para participar a contar do dia 27/03/2018.

 

Constitui objeto deste edital a premiação de 07 (SETE) iniciativas voltadas para o segmento artístico-cultural da Música, em âmbito estadual, por meio da destinação de recursos públicos a candidatos residentes há pelo menos 3 (três) anos em Rondônia – conforme os formatos e número de oportunidades disponíveis:

Acesse: EDITAL DE MUSICA ZEZINHO MARANHAO 2017

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1. Modelo da Proposta:

A. FICHA DE INSCRIÇÃO

B. DETALHAMENTO DO PROJETO – 2017

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2. Publicações Oficiais:

2.1 PUBLICAÇÃO DIOF EDITAIS (1) – PUBLICAÇÃO

2.2 PUBLICAÇÃO DIOF EDITAIS (2) – PRORROGAÇÃO  

2.3 PUBLICAÇÃO DIOF – EDITAIS (3) – PRORROGAÇÃO 

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3. Etapas do Processo:

Data de Publicação: 27/12/2017

Data de encerramento das inscrições: 10/02/2018

Data de encerramento das inscrições (Prorrogação 1): 27/03/2018 

Data de encerramento das inscrições (Prorrogação 2): 11/05/2018 – PRAZO ABERTO ! 

Lista dos Habilitados e Inabilitados:

Classificação Final:

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4. Forma de Envio: 

Os Proponentes deverão baixar os arquivos contidos no item 1. Modelo da Proposta (desta página) e após o preenchimento e assinatura da: A) Ficha de Inscrição; e realização de todas as considerações pertinentes ao projeto no B) Detalhamento da Proposta, encaminhar os arquivos para:

>>>>> Plataforma SAPCultural  (http://sapcultural.sistemas.ro.gov.br/EditalDeCategoria/EditaisAbertos)

 – conforme Modelo apresentado pela Coordenação de Cultura-SEJUCEL (atenção para não desconfigurar a Planilha) e não esquecer da assinatura na Ficha de Inscrição.

*É importante preservar o Modelo e as Ferramentas de inscrição, uma vez que valida todo o andamento do Processo. O Proponente que não observar estas condições poderá ser Desabilitado a participar da fase de Avaliação do Prêmio.

 

>>>>>> ACESSE O MANUAL DE ACESSO E INSCRIÇÃO – SAPC

Memorial

Zezinho Maranhão

Nascido em Santa Inez, Estado do Maranhão, a mais ou menos 500 Kms de São Luiz, José Alves da Silva, ainda menino, acompanhava seu pai, Jorge Alves da Silva, e os irmãos nos trabalhos do roçado, com a incumbência de dar água para quem trabalhava e também "aprender que na vida é importante enfrentar a lida", sem nunca sonhar que no futuro a vida reservava-lhe um trabalho de burilar o espírito e alimentar a alma das pessoas com a música de raízes.

O pessoal de sua infância tinha uma vida dura, mesmo assim, enquanto enfrentavam a vida cantavam as músicas típicas do Maranhão. O mesmo acontecia com sua mãe, dona Maria Madalena, que, lavando roupa, ia esfregando e dando vazão à suas esperanças cantando lundus, jongos, corimas, modas, incelenças, pontos, toadas do bendito espírito santo e cantos de trabalho. E o filho foi guardando em sua memória aquela maneira especial de cantar, de trabalhar a sonoridade rouca, as letras, o jeito especial de interpretar que viria a registrar anos mais tarde, quando transformou-se, a partir dos anos 85, num dos principais artistas da música rondoniense. Ainda hoje, com seu estilo brejeiro, com sua capacidade única de descrever fatos e lendas de Rondônia e do Norte, Zezinho Maranhão é um diamante em lapidação constante.

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Em 1980 este maranhense poderia ser definido como um diamante bruto. Foi como deu início à sua carreira profissional na cidade de São Paulo, onde cantou pela primeira vez sob a batuta do maestro Záccaro, depois de ter trabalhado por alguns anos como empregado de indústria e como officeboy do Hospital Albert Eistein. Aliás, foi dali que começou a procurar novos estilos para se exprimir musicalmente, ampliando o que tinha aprendido quando cantava no coro da Igreja de Santa Inez, no Maranhão.


- Em São Paulo comecei a freqüentar o bairro boêmio do Bexiga e sempre acabava dando uma palinha, principalmente numa casa que tinha o nome de Persona e também Caleidoscópio. No Bexiga fiz amizade com gente importante na música, como Fernando Mendes, a Fafá, o Raul Seixas. Esse pessoal me influenciava muito.

Na república onde morou em São Paulo os amigos gostavam de ouvi-lo enquanto fazia as tarefas de quem mora só, como passar a ferro a própria roupa. No trabalho, também, Zezinho Maranhão - que na época ainda era apenas José Alves da Silva - recebia incentivos para seguir a carreira artística. Pessoalmente achava difícil mas com as amizades que tinha conseguido entre a boêmia do Bexiga, com o gosto pela arte e pela noite acabou tomando coragem e indo se inscrever em festivais de música como o Fico, Gremac, Sharp, Anglo entre outros.

Seu canto rouco e meio trinado como o do sertanejo de seu Estado estava fora de qualquer padrão estético e até hoje sem qualquer paralelo entre as cantores brasileiros. E foi com certeza esta maneira especial de cantar que levou Zezinho a ser a revelação principal de um festival promovido pelo Colégio Objetivo, em sua sede da Avenida Paulista. A promoção tinha cobertura da TV Gazeta. O cantor maranhense sobressaiu-se de tal maneira que acabou, posteriormente, sendo chamado para fazer parte de um sarau no Teatro Procópio Ferreira. Agradou tanto que cantou 12 músicas.

Um jornalista especializado da paulicéia comparou Zezinho Maranhão ao cantor e guitarrista Fenton Robinson:
- Ele achava que éramos almas gêmeas, não pelo repertório mas pela forma
selvagem e pela maneira que integrava voz e corpo, que se
soltava com todo o tipo de dança...

E não parece exagero: quem ouve hoje o Zezinho Maranhão percebe em suas interpretações muito dos cantores afro norteamericanos e dos próprios brasileiros. A sua ancestrialidade africana permitiu que ele estabelecesse uma ponte do riquíssimo folclore dos terreiros maranhenses, mesclado com a música de nossos ribeirinhos e caboclos amazonenses com a linguagem urbana e contemporânea. Há também um sabor inconfundível do sincretismo brasileiro na sua música.
Esta característica especial Zezinho Maranhão adquiriu aqui em Rondônia, para onde veio e integrou-se aos grupos de músicos como os liderados pelo Bado, Binho, Nonato Baaribu e o próprio Dadá com o pessoal do "Cabeça de Negro". Trocando constantes idéias com o Dadá, Maranhão foi se transformando num diamante cada vez mais lapidado.


- O Adaídes, o nosso Dadá, acrescentou-me muitas informações culturais das nossas raízes afro. Ele é capaz de explicar como ninguém o profundo significado das rezas em nagô e dos cantos em iorubá, bem como dos hinos católicos já que foi seminarista em Manaus. Com o Aldemir Saldanha, que chegou a cantar no côro da igreja quando foi seminarista, também ouvi muitas coisas boas. Pereca, talvez até por origem familiar demonstra profundo respeito pelos pontos de candomblé. Pois é, com todo esse pessoal de Porto Velho participei de movimentos que só enriqueceram minha caminhada musical, meu aprendizado artístico e cultural. Acho até que foi o prazer de participar sempre das rodas de samba, onde sempre tinha o violão do professor Ronildo, das festas dessa pá de gente boa que adotei Rondônia como minha terra. E foi defendendo a música de Rondônia que venci no Festival de Música de Maringá (PR), concorrendo com 90 músicos de 17 estados, nos anos de 97 e 98.

Graças à sua performance, Zezinho Maranhão conseguiu incluir no CD que marca a realização do Festival de Música de Maringá, no 19º e 20º Femuci (Festival de Música Cidade Canção) duas músicas: Porto Rondoniana e A Dança e o Rio, com parceria de Flávio Carneiro, ambas as canções registrando aspectos do regionalismo de nosso Estado. Com suas constantes participações em eventos interestaduais, este maranhense que adotou o nosso Estado vai ser transformando num embaixador cultural rondoniense. Esse afro-brasileiro tem se apresentado em vários locais de Porto Velho mas ainda assim não conseguiu o reconhecimento popular que já faz por merecer de nossa sociedade. Ainda não é um grande vendedor de discos, embora já tenha gravado um compacto e um LP. Mas, a realidade no mundo artístico é assim mesmo: muitas vezes as pessoas dão mais valor à bijuteria do que aos diamantes em fase de lapidação.

Nota da redação: Zezinho Maranhão foi morto na manhã deste sábado, 8 de dezembro de 2013, pela sobrinha, enquanto dormia em casa. O texto acima foi escrito pelo jornalista Gessi Taborda e publicado no site ROL na década de 90.

Publicado no site ROL entre os anos de 1996 e 1999

Categorias: Artistas , Cultura , Edital